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domingo, 25 de janeiro de 2009

CANSATIVO CASO SURREAL COM EFEITOS ESPECIAIS SURPREENDENTES

Gisele Santos

História surreal e cansativa, com quase três horas de duração. “O curioso caso de Benjamin Button” mostra a vida do ser humano ao contrário, isto é, o personagem interpretado por Brad Pitt nasce em forma de um bebê ‘velhinho’ todo enrugado, em 1918, quando a Primeira Guerra Mundial chega ao fim, mas a idade é de um recém-nascido. No decorrer do filme ele fica com aparência física cada vez mais jovem e faz aniversário normalmente. Ele falece em forma de um bebê, mas tem 81 anos. Toda a trama é baseada no clássico conto homônimo de F. Scott Fitzgerald (1920).

A maior parte do filme é monótono, pra não dizer chato, mas prende atenção com o formato de época e algumas passagens históricas como referências a “Pearl Harbor” e a primeira nadadora a atravessar o Canal da Mancha, além da transformação das várias idades do personagem. É até aceitável passar esse tempo todo em frente a tela.

Por falar nas fases da vida de Benjamin, é inegável a ótima performance de Brad Pitt que mantém o mesmo olhar desde quando - ainda no início de sua aparição - é quase irreconhecível, graças também aos ótimos profissionais que souberam usar todas as ferramentas de computação, rendendo a ele, no último 11 de janeiro, o "Globo de Ouro" na categoria "Melhor Ator em filme dramático". O mais incrível é que durante os 53 primeiros minutos do filme, Brad Pitt não contracena com ninguém e não usa maquiagens. Ele só interpreta e fala simultaneamente em um ‘fundo verde’, tudo isso sincronizando com um dublê. Essa primeira uma hora conta com muitas técnicas de efeitos especiais computadorizadas. Para entender melhor, no Youtube já existe um vídeo que revela algumas etapas da caracterização do artista. (veja aqui)

Benjamin se decepciona, ama, ri, fica triste, perde pessoas queridas, viaja pelos mares como marinheiro liderado por um capitão bêbado, participa da Segunda Guerra Mundial. Mas a mensagem principal do filme é que a única certeza do ser humano é que vai nascer, envelhecer e morrer. E que a vida não é um mar de rosas pra ninguém, cada um sabe a cruz que carrega, mas é possível aprender muita coisa e ensinar também.

O diretor e prêmios
Se você assiste filme por causa do diretor, é melhor tomar cuidado. Não espere que David Fincher faça nesse longa o mesmo trabalho realizado em “O clube da luta”, por exemplo, pois nessa nova produção ele arrisca mudar completamente de gênero e parece que já agradou a Academia, pois além de faturar “Globo de Ouro” – na categoria “Melhor diretor de longa-metragem “ - o filme já é indicado para disputar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. E não pára por aí, pois teve mais “Globo de Ouro”: um para Alexandre Desplat (“Melhor trilha sonora original”) e outro para Eric Roth (“Melhor roteiro de longa-metragem”). Além disso, o filme já faturou até o momento 117 milhões de dólares.

Nota: 8,0

Confira o trailler:

Ficha Técnica:
Título original: “The Curious Case of Benjamin Button”
Título no Brasil: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Gênero: Drama – Fantasia
Classificação etária: 12 anos
Duração: 167 min.
Ano EUA: 2008
Estréia: EUA - 25 de Dezembro de 2008
Estréia: Brasil - 16 de Janeiro de 2009
Estúdio: Warner Bros.
Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth
Elenco: Cate Blanchett, Julia Ormond, Faune A. Chambers, Elias Koteas, Donna DuPlantier, Jacob Wood¹, Earl Maddox, Ed Metzger, Jason Flemyng, Danny Vinson, David Jensen (2), Joeanna Sayler, Taraji P. Henson, Mahershalalhashbaz Ali, Fiona Hale

Por: Gisele Santos (BOOM!)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

QUEIME DEPOIS DE LER É O BESTEIROL INTELIGENTE QUE DEU CERTO

Pessoas com histórias diferentes se cruzam numa só e a sensação que fica é: “quem escreveu isso deve ter bebido ácido”. “Queime depois de ler” é uma verdadeira miscelânea durante toda a trama, retratando que a comunicação feita de maneira errada pode causar muito mal entendido. O filme mostra também um dos lados, digamos, “negros” do ser humano que muitas vezes se acha o superior do mundo e até o mais esperto. Mas é o que se pode esperar dos irmãos cineastas Joel e Ethan Coen, pois em suas produções ambos sempre destacam as faces, ou se preferir, as fases dos seres humanos: o ruim, o bom, amor, alma, moral, não moral. Eles escreveram esse roteiro no mesmo período em que prepararam “Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007), ao qual rendeu o Oscar de melhor filme.

Bom, no início do filme é possível pensar “ok, tem começo, meio e fim”, mas alguns minutos depois de ouvir tantos "fuck" (palavra dita 60 vezes no decorrer do filme) o melhor é relaxar com paciência para tentar entender toda a teia, até chegar no final, que inclusive não tem pé e nem cabeça. Termina do nada! E o mais interessante é que mesmo em torno de tantos personagens diferentes, é possível dar boas risadas. Tá, tudo bem, é uma comédia, mas às vezes muitas cenas tediosas circulam. E assim é necessário mais paciência, principalmente com algumas brincadeirinhas que irritam. O destaque fica para Brad Pitt, que está de parabéns, pois poucas vezes pudemos acompanhar o garotão na grande tela com tanto bom humor.

O ex-agente Osbourne Cox, estrelado por John Malkovich, por raiva de ser expulso da CIA, resolve escrever um livro de suas memórias revelando muitas coisas importantes, entre elas informações sigilosas. Só que o CD é esquecido na academia de ginástica onde Chad Feldheimer (Brad Pitt) e a insatisfeita com o próprio corpo, Linda Litzke (Frances McDormand), trabalham. Ao encontrar o material, Chad e Linda correm até o computador mais próximo para acessar o conteúdo. Vendo a possibilidade de arrancar bastante grana do autor - principalmente Linda almejando utilizar o ‘dim dim’ para realizar todas as cirurgias plásticas - começam a chantagear Osbourne, ameaçando serem muito perigosos. Mas na verdade não passam de dois atrapalhados que causam até a morte de Chad. Ele podia ter fugido, não precisava ter morrido. Realmente os irmãos cineastas devem ter consumido ácido antes, durante e depois da criação do filme. Doideira! Quem mata Chad é o canastrão sedutor Harry Pfarrer (George Clooney) que tinha um caso com a esposa de Osbourne e também com Linda, e nada tinha a ver com nada, mas em um certo trecho as histórias se encaixam – na medida do possível.

É hilário acompanhar a polícia investigando. Eles até comentam “que confusão!”, mas não agem, a não ser mandando queimar o corpo de Chad, ainda sem entender nada. Nem envolvem o FBI no caso, alegando que a história está confusa (mais do que tanta confusão que acontece durante toda a trama). No final, “Queime depois de ler” é o besteirol sem noção que deu certo. E se você não entendeu nada, espera só quando ver o filme...

Como dizia Seu Madruga (Chaves), não é algo que podemos dizer “uhhh, nossa, que filmão”. E muito menos vale a pena pagar pelo ‘salgado’ ingresso para assistir no cinema. É daqueles filmes pra ver em casa mesmo, quando um dia estiver sem nada pra fazer e puder passar na locadora.

E atenção! Esta resenha ‘se auto-destruirá’ em 30 segundos. Caso contrário, sua geladeira e sua cama serão deletadas!

Nota: 7,5

Confira o trailler:


Ficha técnica:
Título original: "Burn After Reading"
Título no Brasil: "Queime Depois de Ler"
Gênero: Comédia
Classificação etária: 14 anos
Duração: 96 minutos
Ano: EUA – 2008
Estréia no Brasil: 28/11/2008
Distribuidora: Universal Pictures do Brasil
Produtora: Mike Zoss Productions, Relativity Media, Studio Canal, Working Title Films
Direção e roteiro: Ethan Coen / Joel Coen
Elenco: George Clooney, Frances McDormand, Brad Pitt, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins (1), David Rasche, J.K. Simmons, Olek Krupa, Michael Countryman, Kevin Sussman, J.R. Horne, Hamilton Clancy, Armand Schultz, Pun Bandhu

por: GISELE SANTOS (BOOM!)