Eu tinha um texto para cada eliminação, mas como aqui é um blog e geralmente nossos leitores não se assustam com textos longos, vou passar um resumão de tudo o que eu já tinha deixado preparado pra vocês.
A edição do programa que teve como eliminada a Moranguet’s hoje me deixou um tanto quanto pensativa, mas me ajudou bastante na hora de resumir as eliminações anteriores. Quando Tessália foi eliminada, aconteceu aquela tal “reunião de cúpula” dentro do puxadinho. E pelo menos a edição tem acompanhado meu raciocínio até aqui. A primeira pessoa a fazer o tal “leva-e-traz” (além da Maroqueira – Maroca-fofoqueira) foi justamente a pessoa que o público deixou mais uma vez na casa: Marcelo Dourado nem titubeou quando ouviu atrás da porta alheia e saiu correndo pra contar aos colegas marombeiros o que tinha acabado de ouvir de Elieser e Alex.

Ficou fácil deduzir que as eliminações de Alex e Uilliam não passaram de “efeito colateral” da eliminação de Tessália, quando o público estava crente que o povo do puxadinho estava jogando a frio demais. Claro que o “menos um” do Alex e a “mãezinha” que ensinou tudo o que o Uil sabia foram fatores que combinaram com o fato de serem pessoas próximas à Tessália. Mas isso não diminui em nada minha tese de que suas eliminações foram por afinidade com a twitteira. E Michel só não entrou no bolo da eliminação do meio porque foi líder e é um sujeito bastante político e simpático com todos dentro da casa, menos claro, com Lia, seu desafeto principal.
Voltando à estratégia de Dourado: o saradão casca-grossa foi conquistando certa simpatia do público graças à sua mudança de comportamento em relação à edição da qual tinha participado e sido eliminado.
Mas não durou muito. Quando ele voltou do seu primeiro paredão na sua “segunda chance”, voltou mesmo muito cheio de si. E logo voltou junto aquele comportamento de clube da luta que o público havia reprovado previamente.
Já a eliminação de Elenita era apenas uma questão de tempo, como eu creio que será para Lia, as duas maiores barraqueiras da casa. Ela não se integrou, usou palavras difíceis demais para o vocabulário dos confinados e recebeu hostilidade da maneira errada dentro do programa. Ela podia ter se soltado mais, mas preferiu ser a intelectual chata até o fim. Pior pra ela.
E justo logo após a eliminação de Elenita, Dourado e seus comparsas resolveram tramar a próxima eliminação do puxadinho, sem citar nomes, mas já pensando em estratégias para as provas do líder e do anjo, pensando em como proteger Lia, etc. A Morango mineira resolveu não se calar e comprou uma briga com uma audiência que curte, eu já descobri, um barraco.
Na décima edição do programa, histórica, citando Bial, “o público amadureceu”. Será mesmo? Talvez quando ele disse isso, pensou no amadurecimento do que é esse jogo, ao que se presta o BBB: é um jogo psicológico forte, onde aqueles que se posicionam melhor estrategicamente, e nas horas certas, vence. Ou seja, o “grande irmão” é aquele que se mete em todos os grandes barracos ao longo da edição e consegue puxar o público pro seu lado. Dourado nesse ponto vem sendo brilhante. Ele já jogou antes. Ele foi eliminado com certa rejeição do público, montou seu personagem nas horas certas e foi o mesmo Dourado enjoado de sempre quando foi conveniente também; como ele já manja o andar da carruagem, tentou uma aproximação, em minha opinião, com o personagem do Alemão, vencedor da sétima edição. O grandão engraçado, o meio inteligente, meio brigão...
O público amadureceu pro que dá audiência: barraco, choro e edredom. Dourado puxou o gatilho do puxadinho na hora exata e agora vai manipulando o público que acha que ele é mais do que merecedor do prêmio. Ele é o que causa. Ele e Lia. O resto não passa de “pecinhas de madeira” com as quais eles brincam – e se divertem. Agora aqueles que, em outras edições seriam os mocinhos (Eliéser, Cacau, Dicesar e Michel) são considerados os bandidos. Lia, como bem citou Michel, está se achando a rainha do programa, ela tem razão e ela está certa. E ela é ótima estrategista, mas já me soa uma péssima pessoa, que gosta de uma chantagem emocional pra prender os demais. Ela deve fazer isso fora da casa, e deve conseguir o que quer na base do choro teimoso.

Essa edição do BBB está me lembrando muito a última edição de No Limite. No final, o público vai acabar se sentindo como se sentiram os eliminados de lá do Ceará: como se tivessem falhado nas estratégias, eliminado verdadeiros vencedores em potencial e principalmente, assistirão a uma final de desânimo pra votar, onde só sobrarão seres do espaço como Lia, Dourado, Maroca e Cadu. E pensarão: “será que um desses merece mesmo ter mais poder supremo e ganhar um milhão e meio?” ou “pronto, estou dando um prêmio milionário para mais um arrogante que vai pisar em quem o ajudou até aqui”.
Desculpa gente, mas BBB no pay per view é melhor de acompanhar e não é todo mundo que tem essa condição; o dia-a-dia é diferente da edição. Não dá pra manter uma máscara em um confinamento por muito tempo, mesmo que esteja valendo um milhão e meio. Quem é do jeito que é lá dentro, o é aqui fora. Tessália só jogou errado. E a eliminação dela é pivô para mudar em 180 graus a visão do jogo e do público. Por estratégia, Dourado merece TOTALMENTE o prêmio. Mas além de ser um jogo, é um jogo com pessoas e a avaliação de caráter é parte importante no momento de entregar tanto dinheiro na mão de uma pessoa só. E a edição do programa deu a dica na noite que eliminou a Angélica: o público pode estar avaliando, pensando e votando errado dessa vez.